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Antes que dissesse “haja luz!”, Deus havia dito “haja cruz!”

Antes da fundação do mundo, Deus nos escolheu em Cristo, o Cordeiro morto desde a fundação do mundo.

Jesus não é um “plano B”. Deus não foi pego de surpresa quando Adão caiu em pecado. A redenção dos seus eleitos na cruz sempre esteve nos planos eternos e soberanos do Senhor.

Compreender isso é uma chave importante para interpretação bíblica. A Bíblia contém regras morais, mas não é um livro moral; a Bíblia contém livros históricos, mas não é um livro de história; a Bíblia fala da criação e da natureza, mas não é um livro de ciências; a  Bíblia tem  escritos poéticos, mas não é um livro de poesia; a Bíblia tem salmos e cânticos, mas não é um livro de música.

A Bíblia é a história da redenção da humanidade pela aliança de Deus com seu povo através do sacrifício de Jesus na cruz. Todos os livros bíblicos apontam para Cristo, e cada texto e cada palavra devem ser lidos e entendidos tendo-se isso em mente.

"Porque Deus nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença."

Efésios 1.4

"Todos os habitantes da terra adorarão a besta, todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo." 

Apocalipse 13.8

Eleição e Aliança no Antigo Testamento

O conceito de que Javé escolheu Israel para ser sua possessão é chamado “eleição”. A base da doutrina encontra-se no chamado de Abraão, quando a promessa de Deus é dirigida à “semente” ou descendentes de Abraão.
A eleição divina não é um ato arbitrário, ainda que Deus tenha tomado uma nação em detrimento de outras. A nova obra de redenção divina exigia um novo povo, daí o chamado de Abraão e a formação de uma nova nação a partir da família de Abraão.
Por causa dessa eleição, Israel devia destruir as nações na terra de Canaã. Não devia fechar tratados com elas. Não deveria haver casamentos mistos entre israelitas e os povos da terra. Isso só poderia fazer com que os israelitas deixassem Javé para servir outros deuses. Acima de tudo, deveriam destruir todos os símbolos religiosos dos cananeus. Essas obrigações parecem penosas. Uma vez que Javé é igualmente Deus de todas as nações e, portanto, todos os povos são igualmente suas criaturas, por que essas restrições pesadas?
Tais restrições precisam ser vistas da perspectiva correta, do contexto da eleição. Javé escolheu Israel e é o Deus de Israel. Deus não assume nenhum compromisso específico com outras nações, exceto o que está implícito  na aliança com Israel. Essa ideia básica de eleição está por trás das porções exclusivistas do Novo Testamento, tais como a diferença entre os seguidores de Cristo e o “mundo”
Mas esse conceito de eleição tem outra face. Havia outro propósito no fato de Deus escolher Abraão e seus descendentes: “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). O ciúme de Deus para com Israel não brota de sua indiferença para com outros povos; antes, surge de sua preocupação de que Israel transmita a verdade divina aos outros povos. Se Israel não for cuidadoso para guardar a verdade que Javé revelou em palavra e em atos,  a verdade nunca chegará ao restante do mundo.
A palavra “aliança” desponta aqui e ali com frequência no Antigo Testamento. Embora seja às vezes descrita como um “contrato” ou “acordo”, a aliança bíblica é um tanto diferente. Um contrato implica reciprocidade: “pelo valor recebido aceito pagar...”. Se um dos contrastes deixa de cumprir sua parte, o outro fica desobrigado. Mesmo o tratado de suserania não é bem igual à aliança bíblica, embora pareça um paralelo mais próximo. Aqui, o governante venceu o povo vassalo e, portanto, impõe-lhe certas obrigações. Em troca promete prover os devidos benefícios. Ao contrário, a aliança bíblica, a relação entre Deus e seu povo escolhido, não se origina nem na reciprocidade nem na conquista. Ela começa no amor: “porque o Senhor vos amava...” (Dt 7.8). Assim mesmo que o povo falhe e não cumpra sua parte  da obrigação – como certamente fizeram  no deserto e ao longo da maior parte de sua história – , Deus não quebrará sua aliança (Dt 4.31).
Quanto aos profetas, a relação de aliança torna-se  a pedra fundamental de sua esperança. Uma vez que o Senhor deles é um Deus que guarda as promessas da aliança, os profetas sabiam que no final Deus devia redimir o povo, devolvê-lo à terra e estabelecer o rei no trono. Os elementos dessa esperança já estão presentes em Deuteronômio.
Não devemos, porém, supor que sobre Israel não se impunham obrigações. Na relação da Aliança, Javé honra sua parte (as promessas) porque ama e porque é Deus. O Senhor pode punir Israel por desobediência e até castigar gerações inteiras por incredulidade persistente, mas a aliança permanece em vigor – simplesmente por causa da natureza de Deus.
Israel, por outro lado, está obrigado pela honra a manter as exigências da aliança – não para colocar Javé em débito com Israel, mas porque Israel é o povo de Javé e deve agir de acordo com essa condição. Moisés apela ao princípio fundamental estabelecido em Levítico – “Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”(Lv 19.2).

“Porque tu és povo santo ao Senhor, teu Deus; o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses  o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra. Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu porque fosseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o Senhor vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito.” Deuteronômio  7.6-7



* Trecho selecionado de Introdução ao Antigo Testamento, de William S. Lasor, David A. Hubbard, Frederich W. Bush, pgs 131-133.

Deus Deseja que Todos Se Salvem, e Concede Arrependimento a Alguns


Por John Piper l 12 de junho de 2012

Coloque os dois textos juntos, e veja o que você vê.

“Deus deseja que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade (eis epignōsin alētheias)” (1 Timóteo 2:4).

“Deus poderá, porventura, conceder-lhes arrependimento que conduz ao  conhecimento da verdade (eis epignōsin alētheias)” (2 Timóteo 2:25).

Aqui está o que eu vejo:

1.  Ainda que Deus deseje que todas as pessoas sejam salvas, ele “poderá, porventura,  conceder-lhes arrependimento.” O que eu penso significar que o desejo de Deus para que todos sejam salvos não o conduz a salvar todos. Deus tem desejos que não alcançam o nível da volição*. Esse desejos estão reprimidos por outras considerações – como sua sabedoria, que o guia a demonstrar sua glória da maneira mais plena. Ele tem suas razões de por que ele “possa, porventura (talvez), conceder arrependimento” para alguns pecadores, e não a outros. 

2. O “conhecimento da verdade” é um presente de Deus. Deus “concede [i.e., dá] arrependimento que conduz à verdade.”  Sem o dom do arrependimento, nós não conheceríamos a verdade. Evidentemente, isto é o que 1 Timóteo 2:4 também significa: Nós devemos ser “salvos e (assim) vir ao conhecimento da verdade.” Salvos de nossa própria cegueira para a verdade. 

3. Portanto, a verdade que Paulo tem em mente não é a verdade que o homem natural possa ver. Mas o homem natural pode ver muitas verdades. Dezenas de milhares de verdades estão abertas à mente natural. Que verdade o homem natural não pode ver? O homem natural não pode ver a glória de Cristo no Evangelho. “O deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. ” (2 Coríntios 4:4).

4. Por isso é que Deus deve “conceder” o que for preciso para que se veja a verdade do Evangelho. Nós somos cegos a ela. E Satanás nos mantém nesse estado. Até Deus “conceder” arrependimento (metanóia) – a mudança de mente que pode ver e receber a verdade do Evangelho.

5. Portanto, nossas orações pelos incrédulos que amamos  e nosso evangelismo devem ser guiados por esta única esperança para a salvação deles: “Deus poderá, porventura, conceder-lhes arrependimento”. Desde que somente ele tem o poder de vencer a morte espiritual e a cegueira satânica, nós permanecemos em oração e  testemunhamos a verdade: “Deus poderá conceder arrependimento”. Essa é nossa única esperança.

Entáo, vamos seguir a Paulo: “Irmão, o desejo do meu coração e  minha oração a Deus por eles é que eles sejam salvos” (Romanos 10:1). E: “Fé vem por ouvir, e ouvir a palavra de Cristo”. (Romanos 10:17

* vo.li.ção - sf (lat volitione) 1 Psicol Processo pelo qual a pessoa adota uma linha de ação; atividade consciente que visa a um determinado fim manifestada por intenção e decisão. (Dicionário Michaelis)

Texto original, clique aqui


ESCOLHIDOS PARA SERMOS SANTOS

“..., assim como nos escolheu, nele [em Cristo], antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele.” Ef. 1:4

O versículo acima nos fala que fomos escolhidos em Cristo para sermos santos. Antes de começarmos a tratar de santidade nas diferentes áreas de nossas vidas (afetiva, social, financeira, etc), precisamos saber o que a Palavra de Deus está nos ensinando quando diz que fomos escolhidos para sermos santos. Como Lutero ensina em sua obra Liberdade Cristã: “Boas obras não fazem um homem justo e bom, mas um homem justo e bom faz boas obras”. Da mesma maneira, é verdade falar que uma lista de permissões e proibições não faz de nenhum homem um santo, mas um homem santo sabe aquilo que deve fazer e deixar de fazer.

1. ESCOLHIDOS

Jesus, de forma clara e sucinta, nos diz: “Não foste vós que me escolheste, pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros” (Jo 15:16). A Bíblia transmite essa realidade em vários textos do novo e do velho testamento: Deus escolheu Abraão (Gn. 18:19), escolheu o povo de Israel (Dt. 14:2), escolheu a Igreja (Jo 17:2,6,9 e 24), e nos escolheu individualmente para formarmos a Igreja (Mt. 22:14).

Não é difícil aceitar o que a Palavra fala sobre predestinação quando conhecemos um pouco do que a Bíblia ensina a respeito de Deus e a respeito de nós mesmos. Deus é soberano. O homem, por sua vez, é pecador, totalmente depravado (significando que todas as áreas de sua vida foram afetadas pelo pecado) e tornou-se inimigo de Deus. Se Jesus tivesse morrido para fazer uma oferta de salvação à humanidade, ninguém seria salvo, pois o homem natural não quer a Deus. O plano da cruz é suficientemente eficaz para assegurar salvação dos santos, cujas vidas são regeneradas pelo Espírito Santo, mediante obra exclusiva do Senhor.

Se Deus abrisse hoje a porta do inferno e dissesse ao homens condenados que poderiam sair, conquanto se curvassem diante de Cristo, todos ficariam ali. Apocalipse 16:10 e 11 nos mostra isso ao derramar dos flagelos: “E por causa das suas dores, e por causa das suas chagas, blasfemaram do Deus do céu; e não se arrependeram das suas obras”. Veja que eles sabiam que havia um Deus dos Céus, sabiam que os flagelos vinham de Sua parte, portanto cientes estavam que esse Deus era quem poderia lhes tirar daquela situação de terrível tormento e dor. Mesmo assim não se arrependiam, não pediam perdão por suas obras, não clamavam por misericórdia e não se curvavam.

Assim, Deus, em sua infinita bondade e amor, olhando para a humanidade que caminha convicta para a perdição, escolhe alguns para serem santos, a fim de se tornarem vasos de misericórdia para a Sua glória. (RM 9:14-23).

2. PARA SERMOS SANTOS

A Bíblia nos fala que esta é a vontade de Deus, a nossa SANTIFICAÇÃO (I Ts 4:8). Mas o que significa ser santo?

No Antigo Testamento a palavra santo é usada para descrever coisas separadas. Deus separou o sábado para ser o seu dia e para ser dia do descanso (Ex. 20:8-11). Deus separou o templo e os filhos de Arão para o serviço do Senhor (Ex 29:44). Deus separou Israel para ser seu povo (Ex 33:16).

Ser Cristão é também ser um pequeno Cristo. É nesse aspecto que o Novo Testamento trata a santidade dos eleitos. Santidade significa ser semelhante a Cristo. I Pedro 1:15,16 afirma: “segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”.

Dizemos que um filho puxou ao pai quando é parecido com ele, e não somente em traços físicos, mas também no agir e nas atitudes. Por isso, ser santo, semelhante a Cristo, implica em agir como Ele age, andar como Ele anda, pensar como Ele pensa. Em outras palavras, ser santo é desenvolver o caráter e a mente de Jesus.

Ao lavar os pés de Seus discípulos, Jesus disse: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13:15). Nesse texto o Senhor está dando uma lição de serviço e humildade. Porém, essa instrução de fazer conforme ele fez deve ser lembrada em todas as nossas ações, a fim de termos o nosso caráter moldado segundo o Seu próprio. Jesus era submisso, manso, humilde, amoroso, entre outras qualidades (Mt 11.29; Jo 15.9; Fp 2.8). Seu caráter é o padrão que todos os crentes devem seguir.

A carta de Paulo aos Romanos (cap. 12, v. 2) diz: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Transformar a nossa mente conforme a mente de Cristo é causa e efeito de colocar a santidade em prática, pois isso nos impulsiona a sermos como Ele é.

Quando temos a mente de Cristo, não precisamos nos preocupar em ficar toda hora debatendo sobre o certo e o errado, pois a mentalidade de Cristo estará naturalmente intrínseca em nossas atitudes. Agiremos como Cristo age; alegraremo-nos com o que Cristo se alegra; aquilo que o entristece nos entristecerá; pensaremos como Cristo pensa.

Ninguém precisa ensinar um cachorrinho a latir, nem proibi-lo de pular de lugares altos. São coisas naturais do cachorro: ele late porque é cachorro, e não pula de certas alturas porque sabe que não pode voar e se o fizer vai se machucar.

Tente definir a santidade em ideais, regras e normas de conduta, e você chegará a algo muito diferente daquilo que as escrituras ensinam sobre ser Cristão. Uma lista de condutas tem uma utilidade muito limitada para nós, uma vez que somos pequenos cristos e a mentalidade de Jesus (sobre)naturalmente dirige nossas atitudes, escolhas e atitudes. Ter a mente de Cristo é estar ao Seu lado, ver as coisas da perspectiva que Ele as vê, pensar da maneira que ele pensa, desenvolvendo assim, o Seu caráter em nós.

Quando renovamos a nossa mente conforme ao de nosso Mestre, experimentaremos a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. A Palavra nos promete: “Agrada-te do Senhor e ele satisfará os desejos do teu coração” (Sl 37:4). Renovar a mente em Cristo muda nossa maneira de pensar, nossos sonhos e nossas vidas, a fim de desejarmos o que Ele deseja e alcançarmos, assim, a plena satisfação de nossos anseios.

Assim, a santidade se estende a todas as áreas de nossa vida quando somos semelhantes a Cristo, em seu caráter e em sua mente.

Glórias ao nome de Jesus, pois nEle fomos escolhidos para sermos santos. NEle somos feitos novas criaturas. NEle somos regenerados, trazidos do reino das trevas para Sua maravilhosa luz. Não somos mais nós que vivemos, mas Cristo vive em nós. Jesus morreu pelos nossos pecados. Somente por Sua obra redentora na cruz podemos ser santos. “Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas” (Hb 10:10).

Jesus é a causa e a razão de sermos santos e vivermos em santidade! Aleluia!!!

Doutrina da Eleição e Senhor dos Anéis

Paul Washer usa como ilustração o Senhor dos Anéis para falar acerca da depravação total do homem. Vale a pena assistir. Muito esclarecedor para os que ainda precisam entender e se firmar na maravilhosa e libertadora doutrina da Eleição.