Pastores Solteiros VERSUS Pastores Casados: Aprenda de um Cara que foi Ambos

Solteiros ou casados fazem melhores pastores? O debate não é nada novo, ainda que tenha sido revigorado nos últimos anos. Historicamente, os homens solteiros predominavam. Ultimamente, o pêndulo escorregou para o outro lado, e alguns ainda sugerem que os solteiros não deveriam servir como pastores. Eu já tinha escrito em defesa dos solteiros no papel pastoral. Quando eu escrevi o artigo, eu tinha servido como pastor solteiro por 19 anos – 14 como pastor sênior.
Três anos atrás, algo especial e maravilhoso aconteceu comigo – eu me juntei ao time dos pastores casados. O lindo tsunami de ser pai recentemente também veio ao encontro de meu ministério pastoral.  Através disso tudo eu tenho visto as vantagens e as lutas de pastorear tanto como um homem solteiro quanto casado.
Eu não deveria ficar surpreso, mas minha experiência segue a análise que Paulo deu à questão de  casamento e ministério em I Coríntios 7: "Gostaria de vê-los livres de preocupações. O homem que não é casado preocupa-se com as coisas do Senhor, em como agradar ao Senhor. Mas o homem casado preocupa-se com as coisas deste mundo em como agradar sua mulher, e está dividido. Tanto a mulher não casada como a virgem preocupam-se com as coisas do Senhor, para serem santas no corpo e no espírito. Mas a casada preocupa-se com as coisas deste mundo, em como agradar seu marido. Estou dizendo isso para o próprio bem de vocês; não para lhes impor restrições, mas para que vocês possam viver da maneira correta, em plena cosagração ao Senhor". 1 Co 7:32-35
Ambos os lados do debate sobre se homens solteiros deveriam ser pastores citam a famosa passagem. Ainda, Paulo não está defendendo um ou outro lado como certo ou errado. Ao invés disso, ele está dando um conselho apostólico sábio acerca de como o estado marital afeta a vida e a experiência ministerial. Permita-me apresentar os pontos relevantes em I Coríntios 7 entrelaçados com minha experiência. Esta lista certamente não é exaustiva, e os comentários sobre este artigo provavelmente incluirão muitas outras considerações dignas.

As Vantagens de ser Solteiro no Ministério

1.    Tempo
Quando meus interesses estão divididos, então meu tempo também está. Relacionamentos exigem tempo. Em meus anos de solteiro, Eu tinha uma quantidade enorme de tempo para usar com as pessoas, projetos, preparação de sermão, oração, e semanalmente com emergências e surpresas. Eu amava ser pastor, e a quantidade de tempo que eu podia colocar no ministério pastoral teria sido negligência pecaminosa da família para um pastor casado. Como exemplo, durantes meus anos de solteiro, eu gastava uma, duas, ou três noites por semana na casa de membros da igreja. Eu frequentemente tinha pessoas e grupos na minha casa, vez que estava sempre disponível. Agora que estou casado, essas atividades diminuíram por necessidade.
Pastor casado, você não conheceria melhor seu rebanho se gastasse centenas de noites nas casas deles e eles na sua? Pense em quanto bem um pastor poderia fazer se, de repente, o tempo gasto com o casamento e com os filhos fosse colocado na igreja. Este sermão está um pouco melhor? Esta exposição está mais completa? O pastor está um pouco mais presente nos momentos críticos da vida das pessoas? Os presbíteros e a equipe ganham um pouco mais de atenção pessoal?

2.    Energia
Relacionamentos demandam energia. Casamento demanda energia. Nós todos temos um suprimento limitado. Nos meus anos de solteiro, parecia que eu tinha energia quase sem limites. Claro, meu anos de solteiro foram também meus anos de mais juventude. Ainda, minha esposa e filho exigem energia e esforço. Eu dormia mais e melhor como solteiro. Malhar era mais fácil de encaixar no horário. Havia menos expectativa e tarefas domésticas.
Billy Graham reconhece essa diferença em uma carta ao seu amigo de vida John Stott. Ele disse, “Obrigado por sua carta de novembro. Apenas lê-la me deixou exausto! Como você faz isso, meu amigo? Se você tivesse uma esposa, cinco filhos, cinco noras e genros e 15 netos, seria muito mais difícil. Por favor, perdoe-me se eu não for capaz de acompanhar seu ritmo!”

3.    Foco
Paulo escreve em I Coríntios 7 que homens casados inevitavelmente “estão preocupados com as coisas do mundo”, mas os não casados são “livres das preocupações”. Minha experiência nas duas categorias definitivamente afirma esse ensinamento. Naqueles 20 anos de pastorado solteiro, meus pensamentos estavam substancialmente focados na igreja. Eu pensava sobre as questões do ministério constantemente.
Minha mente andava naturalmente com as soluções de problemas, criatividade, oração, preparação de sermões, e assim por diante. Aqueles pensamentos produziram visão, ensino e outros auxílios impensáveis que deram grande assistência à minha igreja.
O pastor casado tem muito mais a pensar a respeito de coisas de fora do ministério. Ele precisa pensar sobre sua esposa e as necessidades dela, seus filhos, se os tem, cuidados domésticos, problemas de saúde na família, resolução de conflitos, e as idas e vindas da vida familiar.  É simplesmente impossível para o pastor casado encontrar o mesmo foco mental e espiritual no ministério da igreja como são capazes de fazê-lo os pastores solteiros. Quem colhe os benefícios? É a igreja local.

As vantagens do Casamento no Ministério

As vantagens de ser solteiro não diminuem as vantagens do casamento, nem vice-versa. Aqui não temos um jogo de soma-zero. Paulo também chama casamento de dom, que também concede vantagens reais no ministério.

1.    Maturidade, Amor e Crescimento Espiritual
Eu começo com essa vantagem, porque é o mais importante pronunciado. Casamento cria momentos diários e tensões que mudam o homem. Ele não pode ser como ele era. Um homem não irá durar muito no ministério ou no casamento se ele não crescer em seu desejo e habilidade de agradar sua esposa. (I Co 7.33).  Essa é a alegria do amor. Os altos do casamento são maiores que qualquer coisa que eu tenha experimentado na minha vida de solteiro. Ainda, eu sou constantemente desafiado e confrontado com as exigências do casamento de morrer para si mesmo. Quando você é solteiro, você lê o ensino e pensa: “claro, eu entendi... sem problema”. Então o casamento coloca o dedo no seu próprio egoísmo e, ao menos para mim, não é bonito. O cenário traz mudanças, crescimento espiritual, maturidade, e um exército de outras qualidades pastorais úteis. Aqui o casamento faz o que nenhum seminário pode fazer.
Se é um marido de valor, ele aprende a se preocupar primeiramente com as necessidades de sua esposa. Essa é a essência do amor e a marca do ministério de entrega. Casamento é um forno. O homem vai para  o casamento feito de um arranjo de material, mas o calor e a pressão o mudam. O forno força a produção de qualidades que fazem não somente melhores maridos, mas também melhores líderes-servos.  Quanto melhor o marido, melhor o pastor, pois pastorear na essência é liderar e amar como servo.

2.    Desejo Sexual
Nossa cultura ocidental sexualizada relembra tanto a antiga Corinto que a carta de Paulo aos Coríntios torna-se hoje muito relevante. Pelo capítulo 7 de I Coríntios, desejo sexual é um fator importante nos argumento de Paulo para o propósito de casamento. Sexo no casamento é um direito mútuo e uma arma na luta contra a tentação sexual. Essa é, no mínimo, uma consideração quando se decide trocar o dom do celibato pelo dom do casamento. A liberdade sexual do casamento é de grande auxílio na luta por pureza, à medida que provê um cenário de santidade para o desejo sexual.
No ministério, solteiros são jogados em um estereótipo silencioso. Você pode ser visto com uma pessoa que ou não tem desejo sexual normal ou possivelmente desejos errados. Presume-se que o solteiro no ministério provavelmente tem algum problema com a sexualidade, porque pessoas normais casam para lidar com isso. Nessa perspectiva, um pastor solteiro é uma bomba-relógio, e é somente uma questão de tempo antes de ele ceder.
É mesmo? Deus não concede a graça que precisamos, inclusive em relação aos desejos sexuais? Lidar com desejos sexuais é uma questão do coração, e uma cerimônia de casamento não muda esse desafio. Existem muitos e muitos solteiros piedosos no ministério que estão honrando Deus com seus corpos. Eles têm desejos sexuais como qualquer ser humano saudável, mas são pacientes em esperar pelo contexto correto para expressá-los. Um pastor casado é abençoado por ter um lugar são para ir quando lida com os desejos sexuais.  Casamento não garante pureza, mas maravilhosamente dá provisão para ela.

3.    Amplitude Emocional e Empatia
O ministério pastoral trabalha com os pontos difíceis da vida, geralmente relacionados a casamento e criação de filhos. Enquanto a suficiência das Escrituras ensina que um pastor solteiro pode aplicar adequadamente a Palavra de Deus para toda a vida, ele pode ainda lutar  com  sabedoria que provém de experiência e empatia nessas categorias. Eu fui abençoado de suprir esse vácuo com colegas que eram melhores em ministrar com essas necessidades especiais do que minha situação de vida permitia. As alegrias e tristezas do casamento dão uma profundidade emocional e amplitude que as pessoas instintivamente sentem e podem associar. A vida de solteiro tem suas dores emocionais únicas, que Deus pode e irá usar; elas simplesmente são  mais estreitas e específicas. O pastor casado tem uma experiência emocional mais larga da humanidade e suas complexidades relacionais.


Sou feliz por ser casado. E foi uma alegria servir a igreja como um homem solteiro. Muito frequentemente este debate nos força  a escolher um dos lados. Mas a Bíblia não os hierarquiza: honra ambos os lados. A Igreja deveria fazer o mesmo. Como um homem que agora viveu nos dois mundos, eu clamo às igrejas e comissões de busca que avaliem homens para o ministério pastoral baseados em seu caráter, dons e maturidade, não em seu estado civil.
Nós podemos louvar a Deus por como ele poderosamente usa solteiros no ministério para fazer o que os homens e mulheres casados não podem. E nós podemos apreciar e agradecer profundamente pela maneira que Deus usa  o casamento para refinar e amadurecer o homem enquanto ele pastoreia sua família e seu rebanho.

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Steve DeWitt serve como Pastor Sênior da Igreja Bethel, em Crown Point, Indiana. Ele é blogueiro no It`s all About Him e autor de Olhos bem Abertos: Apreciando Deus em Tudo.

Artigo original no site do The Gospel Coalition.

"Em família", desligue a televisão

Na propaganda da nova novela da Rede Globo, em família, a personagem de Giovanna Antonelli resume, em um monólogo, a história de seu casamento. Ela fala que casou muito apaixonada e feliz, e, como todo mundo, pensou que 'seria para a vida toda'. No entanto, está em crise no matrimônio por conta de não estar mais recebendo a mesma atenção de seu marido que recebia quando era recém-casada. A solução apresentada é esta: “Eu não vou viver um casamento de aparências, como faziam antigamente. Vou viver minha vida e procurar a felicidade”.
Veja bem. Poucos dias após o primeiro beijo entre homens da teledramaturgia brasileira, em uma trama recheada de adultério, prosituição e assassinato, a Rede Globo põe no ar uma novela que ensina que o divórcio é a solução para a felicidade da mulher.
Não se disfarça mais, e nem se tenta justificar com meias palavras, que a emissora tem direção e propósitos bem definidos. A Rede Globo de Televisão está engajada em destruir qualquer resquício de valores familiares tradicionais da sociedade brasileira. Apenas pense no título dessa novela, “em família”, e na fala apresentada: "não vou fazer como faziam antigamente".  Dizer que não há intenção de ensinar ideias que afetem o conceito de família é como  querer provar que um jogador de basketball não quer marcar pontos quando arremessa a bola em direção à cesta.
Se você ainda está incrédulo sobre a engenharia social sendo executada pela Rede Globo, sugiro que separe onze minutos para assistir este vídeo que comenta o estudo encomendado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) sobre o tema "televisão e divórcio: evidências das novelas brasileiras".  A conclusão da pesquisa é muito clara: a sociedade brasileira está sendo mudada pela remodelação da identidade da mulher através das tramas de novelas televisivas.  Isso é muito triste. O que deve nos deixar mais  atentos é o fato de o resultado ser celebrado, demonstrando que há um objetivo, e que este objetivo está sendo "bem sucedido". 
Para o Cristão, proibir as novelas da Globo dentro de seus lares passou a ser uma obrigação moral. Ou muito mais, ainda, não assistir essas novelas é um ATO DE AMOR À FAMÍLIA. Como pode um marido querer que sua esposa e seus filhos desenvolvam valores cristãos de família assistindo estórias que mostram ideias e comportamentos totalmente contrários ao que a Bíblia ensina acerca do assunto? É tão sem sentido como tentar ensinar sua prole a ser carinhosa enchendo-a de socos e pontapés.
Chegou a hora de os  líderes cristãos deixarem de lado qualquer receio de serem rotulados de legalistas. É preciso ensinar, até mesmo nos púlpitos, que é simplesmente incoerente e ilógico esperar que uma pessoa desenvolva valores bíblicos assistindo tal programação.
Se você quer que seu filho aprenda a nadar, matricule-o em uma escola de natação. Se quer que sua filha seja uma bailarina, leve-a a uma escola de ballet. Se você quer que seus filhos cresçam com valores totalmente contrários ao que a Bíblia ensina sobre família, sexo e casamento, reúna todos em volta da televisão para assistir as novelas da Globo.
A questão é muito mais profunda do que simplesmente perguntar: “assistir novela é pecado?”. Todas as coisas são lícitas, mas nem todas edificam, e não nos deixaremos dominar por nenhuma delas. O que devemos indagar é: “o que estamos aprendendo  ao assistir essas  novelas?“.
Deixo uma sugestão. Ao invés de ligar a TV à noite, que é o único horário em que a maioria das famílias pode se reunir em casa, faça um culto caseiro, conversando sobre o dia de cada um, lendo a Palavra de Deus e orando uns pelos outros. Doutrine sua família. Não permita que a televisão faça isso por você.
Faça um favor a si mesmo e à sua família (sem medo de ser chamado de chato, legalista, ou radical): exclua esses tipos de novela de dentro do seu lar, especialmente as da Rede Globo. Da mesma maneira, busque  sabedoria para decidir sobre a programação que vocês irão assistir.
Eu faço também um pedido a todos que tem o mesmo discernimento sobre a situação, que compartilhem, copiem e leiam para outros este texto. Conversem em amor e por amor com seus familiares, amigos e irmãos na fé a respeito do assunto.
E para os que, eventualmente, estejam passando por problema semelhante ao apresentado pela personagem, a Bíblia ensina que "o que Deus uniu, não separe o homem". Se o amor parece não mais ser suficiente para sustentar a aliança, lembre-se que é a aliança que sustenta o amor. Interceda diante de Deus pelo seu cônjuge, e peça ao Senhor que renove a alegria do seu casamento.

"Não percebem que o que entra pela boca vai para o estômago e mais tarde é expelido? Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e são essas que tornam o homem impuro. Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias. Essas coisas contaminam o homem.” Mateus 15:17-20


Eis que vos farei chover pão dos céus

Os Israelitas foram salvos da escravidão. O primeiro versículo do capítulo 16 de Êxodo relata que os filhos de Israel estavam no deserto após terem saído da terra do Egito. Até ali, o povo de Deus havia testemunhado uma grande libertação através de providência divina e muitos milagres, desde as pragas que afligiram os egípcios, a abertura do mar e a transformação de águas amargas em águas doces. Mesmo assim, o versículo seguinte diz que “toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e Arão no deserto”.
A causa da murmuração dos israelitas era uma: alimentação, que se desdobrava em duas, sobrevivência garantida e fartura. “Quem nos dera tivéssemos morrido pela mão do Senhor, na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão a fartar! Pois nos trouxestes a este deserto, para matardes de fome toda esta multidão.“
A libertação de Israel da escravidão no Egito é o símbolo de libertação do Cristão da escravidão no pecado. E não menos nesta narrativa, temos uma ilustração das dificuldades pelas quais passamos no início de nossa caminhada com Cristo, e de como podemos reagir a elas.
Em primeiro lugar, Israel teve de aprender que a vida e a sobrevivência não dependiam mais de depositar suas forças nos sistemas estabelecidos deste mundo, e que agora estavam debaixo da total dependência de Deus. Essa foi a resposta do Senhor no verso cinco: “Eis que vos farei chover do céu pão, e o povo sairá e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu ponha à prova se anda na minha lei ou não”.
O Senhor abria aos olhos do seu povo para a realidade de dependência, e os convidava a uma nova vida sob essa perspectiva. Não se trata de uma nova realidade, mas somente de percebê-la. Talvez (ou muito provavelmente), os israelitas confiavam em sua própria força e na boa vontade de Faraó para os alimentar no Egito. No entanto, até mesmo lá eles já estavam vivendo pela provisão divina, “Porque [o Senhor] faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mateus 5:45).
Eis aqui a chamada da nova vida em Cristo: em tudo somos dependentes dele. Como Paulo nos afirma: “O que tens tu que não tenhas recebido?”. (I Co 4:7).
Em segundo lugar, saber que dependemos da providência de Deus é uma prova de que fomos realmente libertos. Como Paulo, exultante, escreve em Filipense 4:11-12: “Porque já aprendi a contentar-me em toda e qualquer situação. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade”.
Agora os israelitas teriam de aprender que nada podiam fazer pela própria força para suprir suas necessidades e garantir sua sobrevivência. No deserto não há terra fértil. No deserto não há água. No deserto não há pomares. O deserto é lugar de sequidão e pouca vida. Mas é no deserto que todo nosso orgulho e auto-suficiência são quebrados. Se há alguma resquício de governo próprio, ali ele rende e se ajoelha ao Senhor de tudo. Ali aprendemos que somos ricos quando somos pobres, que somos fortes quando somos fracos, e aprendemos a exclamar confiantemente como Paulo: “tudo posso naquele que me fortalece”.
Logo após passar pelo meio do mar em terra seca, Moisés e o povo haviam entoado: “Com a tua beneficiência guiaste o povo que salvaste; com a tua força o levaste à habitação da tua santidade”.  O deserto era o lugar de experimentar essa liberdade, dependência e direção.
Jesus Cristo é o nosso alimento diário.  Ele disse: “eu sou o pão da vida” (João 6). Como é rica a nossa confiança em Cristo. O mesmo Deus que tirou com braço forte o seu povo do jugo de Faraó, arranca-nos com graça das garras do pecado. E ele nos dá sustento a cada dia. “Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?”.
Cristo nos lembra que somos peregrinos neste mundo, assim como os israelitas o eram no deserto. Ainda que não haja alimento físico, nele temos vida eterna. Ainda que não haja vestes físicas, nele somos revestidos do novo homem. E isso basta para a eternidade. Mas Jesus nos conforta e continua: “vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas essas coisas; buscai, pois, o seu reino e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas”.
O Senhor nos libertou da pior consequência do jugo do pecado, qual seja, a separação eterna de Deus. E ele mesmo, em Cristo Jesus, haverá de prover cada uma de nossas necessidades de nossa jornada terrena.
Em várias culturas, pão é símbolo de vida, de subsistência e de fartura. Em Cristo nós temos vida; o pão é o seu corpo repartido por nós no madeiro. Ele é a palavra;  nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. E ele é a nossa fartura, que veio para nos dar vida, e vida em abundância.
No deserto, Deus fez chover pão dos céus para alimentar os israelitas.
Para nós, Jesus é o pão que desceu do céu para nos dar vida. 

Evangelizar é um mendigo mostrando ao outro onde encontrar pão.

“Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu. Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.  Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede”.
(João 6:31-35)

A Sutil Idolatria de Raquel



O capítulo 31 de Gênesis conta a história do retorno de Jacó para a casa de seus pais, levando consigo a família que constituira e toda a riqueza adquirida através do trabalho prestado a Labão. Ao se dar conta da partida, seu sogro começa uma perseguição; porém, é avisado por Deus que não falasse nem bem nem mal.
Tendo sido alcançado por Labão, que reclamava a falta de seus deuses-lar, Jacó o autoriza a procurar os ídolos em meio aos pertences que estavam sendo levados na viagem, e declara: “Não viva aquele com quem achares os teus deuses”; conforme prescreviam os costumes e a lei da época para punir o crime de roubo. Raquel, então, para não ser descoberta, coloca-os por debaixo da sela do camelo, e diz não poder se levantar por estar nos dias de regras.
Romanos 6:23 nos diz que o salário do pecado é  a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus. Com a entrada do pecado na humanidade, todos nós constituímos ídolos que tomam o lugar de Deus. A sentença que Jacó pronunciou contra Raquel, sem saber que ela havia furtado aqueles ídolos enquanto Labão tosquiava as ovelhas, se estende a todos nós: não viva aquele com quem se achar deuses estranhos. 
Alguns comentaristas bíblicos dizem que esses deuses-lar  davam direito de herança ao genro que  os tivesse em sua posse. Pode-se, então, analisar a situação por três aspectos: Raquel furtou aqueles ídolos porque era devota deles; Raquel os tomou como uma forma de apego a sua família e a sua terra; Raquel procurava a segurança jurídica que aqueles ídolos  proporcionavam a ela e ao seu marido.
Qualquer que seja a alternativa, Raquel cometeu o pecado da idolatria, pois tirou o Deus verdadeiro do centro de sua vida, substituindo-o por outros. Ou ela estava adorando os deuses que as imagens representavam, ou estava venerando sua família e o apego as suas origens, ou ela estava confiando na segurança jurídica e financeira daqueles artefatos.
Raquel é a síntese da sutileza da idolatria. Trazemos para nossas vidas ídolos para carregar na jornada quando ninguém está olhando, tentamos esconder os reais motivos para nós mesmos, e fazemos questão de descansar escondendo-os dos outros.
Gênesis 35 relata o cumprimento da maldição de Jacó sobre Raquel, que morre durante o parto de seu segundo filho. Ela quer chamar a criança de Benoni, ou seja, ‘infortúnio’. Mas Jacó lhe dá o nome de Benjamim, que significa ‘boa sorte’. O patriarca profetiza, assim, tanto para sua esposa como para toda a humanidade, que há esperança para o pecador até mesmo na sentença máxima de seu  pecado, da idolatria e  da rebelião contra Deus.
Na escolha do nome do menino, nós vemos o contraste entre a graça e a lei. Se a lei diz que o salário do pecado é a morte, infortúnio; a graça diz que o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, boa sorte.
Isaías 53, versículo 11, afirma que o Servo de Deus, o Justo, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. Ele nos justificou diante do pai. A morte não mais tem poder sobre nós, porque esse salário foi pago por Jesus. Em Cristo, Benoni foi chamado de Benjamim, e o nosso infortúnio transformou-se em boa sorte.

Vamos entregar diante dEle todos os nosso ídolos. 

Religião e o Evangelho

A religião prega salvação pelas obras;
O Evangelho, pela graça.
Quando a religião diz “faça!”,
Jesus diz: “está feito”.
A religião ensina a obedecer para ser aceito;
No Evangelho me alegro em obedecer porque já sou aceito.
O religioso obedece por medo de perder as bênçãos e a salvação;
O Cristão obedece motivado pelo desejo de agradar e se tornar mais semelhante àquele que sua vida entregou por nós.
A religião me faz sentir merecedor de uma vida feliz, e me deixa frustrado quando as coisas dão errado;
Jesus, no entanto, foi a única pessoa perfeita neste mundo, e teve uma vida de pobreza, rejeição e injustiças.
Sou tão falho que Jesus teve de morrer por mim;
Ainda, tão amado e valorizado que Jesus se alegrou em dar sua vida em meu lugar.
O Evangelho é a boa notícia que não sou salvo pelo meu histórico,
Mas sou salvo pelo histórico de Cristo. 

(Inspirado na leitura do capítulo 11 – Religião e Evangelho, do livro “Fé na Era do Ceticismo”, de Tim Keller.)