Antes que dissesse “haja luz!”, Deus havia dito “haja cruz!”

Antes da fundação do mundo, Deus nos escolheu em Cristo, o Cordeiro morto desde a fundação do mundo.

Jesus não é um “plano B”. Deus não foi pego de surpresa quando Adão caiu em pecado. A redenção dos seus eleitos na cruz sempre esteve nos planos eternos e soberanos do Senhor.

Compreender isso é uma chave importante para interpretação bíblica. A Bíblia contém regras morais, mas não é um livro moral; a Bíblia contém livros históricos, mas não é um livro de história; a Bíblia fala da criação e da natureza, mas não é um livro de ciências; a  Bíblia tem  escritos poéticos, mas não é um livro de poesia; a Bíblia tem salmos e cânticos, mas não é um livro de música.

A Bíblia é a história da redenção da humanidade pela aliança de Deus com seu povo através do sacrifício de Jesus na cruz. Todos os livros bíblicos apontam para Cristo, e cada texto e cada palavra devem ser lidos e entendidos tendo-se isso em mente.

"Porque Deus nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença."

Efésios 1.4

"Todos os habitantes da terra adorarão a besta, todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo." 

Apocalipse 13.8

PASTORES QUE CAÍRAM: UMA LIÇÃO PARA TODOS NÓS

Durante meu tempo de seminário, eu fiz um curso de liderança ensinado pelo ilustre e memorável Dr. Howard Hendricks. Enquanto estudávamos a vida de Davi, o professor compartilhou um estudo que ele conduziu com um grupo de homens de pastorado de tempo integral que haviam caído em pecados morais que os desqualificavam para o ministério.

Naquela época, eu era cristão fazia poucos anos, mas infelizmente o assunto era muito relevante como um todo. Durante os meus primeiros passos, eu tinha testemunhado vários homens que eu amava e respeitava caírem, comprometendo-se com pecados muito sérios. Em um certo ponto daqueles dias, as quedas vieram com tanta frequência que eu senti que estivesse na praia espiritual de Normandia assistindo companheiros vivos serem explodidos em volta de mim.

O estudo do professor era sobre 246 homens em ministério de tempo integral que experimentaram falha moral  dentro de um período de tempo de dois anos. Até onde ele podia discernir, este clérigo de tempo integral era de homens seguidores de Jesus, nascidos de novo. Ainda que eles compartilhassem uma salvação em comum, estes homens também  compartilhavam um feito de devastação em comum; eles todos tinham, a 24 meses um do outro, se envolvido em caso extramarital.

Depois de entrevistar cada homem, Dr. Hendricks compilou quatro características comuns de suas vidas:

1.    Nenhum desses homens estava envolvido em qualquer tipo de prestação de contas realmente pessoal.
2.    Cada um desses homens cessou de ter um tempo diário de oração, Bíblia e adoração.
3.    Mais que 80% dos homens se tornaram sexualmente envolvidos com outra mulher depois de gastar tempo significativo com ela, geralmente em situações de aconselhamento.
4.    Sem exceções, cada um dos 246 tinha sido convencido que aquele tipo de queda “jamais aconteceria comigo”.

Enquanto eu reflito neste estudo, algumas lições vêm a minha mente. Elas podem ser aplicadas a pastores, encanadores, donas-de-casa, e qualquer outra pessoa que busca seguir a Cristo:

1.    Pecado tem sucesso no isolamento

Satanás vive em trevas e anseia em manter-nos lá também. Ele faz isso porque mentiras vivem melhor na escuridão. Deus sabe disso, e é por isso que quando Ele nos chama para Ele, Ele também nos chama para dentro da igreja.

Deus criou a igreja para ser muitas coisas, uma delas é ser a comunidade de pessoas que se ajudam a amá-lo e a lutar contra o pecado. Ele nos chama para relacionamentos onde nós falamos a verdade uns para os outros (Efésio 4.15, 25) confessamos nossos pecados uns aos outros (Tg 5.16), e amamos uns aos outros o suficiente para ir atrás dos outros se nos desviarmos. (Mt 18.10-20, Gl 6.1-2, Tg 5.19-20).

A questão que eu quero ponderar é esta: Quem sabe disso? Digo, quem realmente conhece você? Que não somente tem permissão, mas está atualmente agindo com a permissão de lhe perguntar perguntas penetrantes? Você está respondendo essas questões honestamente ou você está escondendo detalhes e enfeitando seu pecado para guardar sua imagem?

Não se esconda da ajuda graciosa de Deus que existe em relacionamentos cheios de amor.

2.    Se você flertar com o pecado, você vai cair em pecado

A ladeira do pecado é muito escorregadia. Quanto mais você caminha na beira do abismo, mais certo que seus pés escorregarão. Os homens no estudo se colocaram em situações perigosas repetidamente. Eles ignoraram as palavras de Salomão que alertou seus filhos a "manterem seus pés longe dela, e a não chegarem perto  da porta de sua casa”. (Pv 5.8)

Estes homens não guardaram seus corações, ou o coração das pessoas que eles deveriam estar protegendo. Ao invés disso, eles se tornaram cegos pelo engano do pecado (Ef. 4.22, Hb 3.13) e foram conduzidos para o fosso da destruição.

De quais maneiras você está flertando com o pecado? Que provisões você está fazendo para a carne  em preocupação com sua luxúria (Rm 13.14)? Que guardas vocês colocou à disposição? Que detalhes você está escondendo? Que emails você está deletando? Quais históricos de busca você está apagando?

O pecado está batendo à porta (Gn. 4.7) e o tentador está procurando por uma oportunidade para devorar (I Pe 5.8). Como você está facilitando o alvo?

Fuja do pecado, não flerte com ele! (Gn 39.6-12); Pv 5.7, Rm 6.12-13; 2 Tm 2.22; I Pe 2.11.

3.    O orgulho nos cega para nossa fraqueza

Muitos de nós pensamos que este tipo de pecado grave não acontece conosco, exatamente como esses pastores que caíram chegaram a pensar. Mas I Coríntios 10.12 nos avisa que “quem pensa estar de pé, cuide para que não caia”.  Não vamos esquecer que Sansão, o homem mais forte da Bíblia, e Davi – o homem segundo o coração de Deus, foram ambos vencidos pelas tentações do pecado sexual (Juízes 14-16; I Reis 11.1-8; 2 Samuel 11-12; Salmo 51). Ninguém está acima das tentações de pecar em caminhos cruéis.

Irmãos, estejam atentos. Provérbiso 16.18 diz: "A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito prece a ruína".

4.    Pureza é cultivada amando-se a Jesus

Em algum lugar ao longo da linha, cada um dos homens no estudo se deixou levar. Orações se tornaram menos fervorosas. As promessas de Deus na Palavra se tornaram empoeiradas. O amor por Jesus se tornou como algo que se fala no pretérito.

A sedução do pecado e o engodo para sacrificar tudo a fim satisfazer os anseios interiores se tornaram muito mais fortes do que poderiam resistir.

Mas Cristo é mais forte. Ouça essas promessas de refrigério em Hebreus 4.14-16:

“Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.”

Irmãos e irmãs, não há certeza de ajuda mais doce do que Jesus Cristo o Senhor.

Ele se ergue pronto à mão direita de Deus para suprir a graça e misericórdia que nós temos necessidade.

Não permitam que seus corações tornem-se frios ao Deus que tanto ama vocês. Aproximen-se dele diariamente, momento a momento, em expectativa cheia de esperança de que ele é melhor que qualquer prazer passageiro que possa atrair seu coração. Não deixe para buscá-lo somente em tempos de desespero, mas busque-o diariamente. Caminhe com ele. Reacenda a paixão. Clame a Ele por ajuda. Ele é capaz de lhe ajudar, e ele tem prazer em fazê-lo.

"Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja a glória e majestade, domínio e poder, agora e para todo sempre. Amém." Judas 24-25

Vem Senhor Jesus, vem.

Artigo escrito por Garret Kell, pastor da Igreja Batista Del Ray, em Virginia, nos Estados Unidos. Publicado em 20 de fevereiro de 2015, com o título A Pattern Among Fallen Pastors - Lessons for Us All. Ver original em Inglês no link: http://garrettkell.com/pattern-among-fallen-pastors-lessons-us/.

O SENHOR É O JARDINEIRO DO PAÍS

Conta-se que certo homem de Deus que vivia numa época muito conturbada de nossa história, de tal modo tomou sobre si o mal que minava o país, que chegou a incapacitar-se para o trabalho. Abatido e desanimado, e não podendo sofrer por mais tempo devido tantos males, resolveu deixar o país. Tendo embarcado, encontrou-se com um amigo que lhe perguntou: “Porventura você é o encarregado do governo do mundo?”. "Não", o pobre homem jamais havia tido tal pretensão. “Deus não se deu razoavelmente bem quanto ao governo do mundo antes do você nascer, e acaso não se sairá bem com ele após a sua morte?”. Essa simples pergunta levou o homem de Deus à reflexão e a compreender que não tinha razão para afligir-se daquela maneira. Permaneceu em sua terra e novamente começou a trabalhar para o Senhor. Igualmente, irmãos, cada um deve reconhecer o limite de sua responsabilidade. Não somos o Jardineiro; apenas Seus ajudantes, Seus subalternos, chamados a executar Suas ordens. Mesmo que não sejamos os encarregados da administração do jardim de Deus, estejamos seguros de que será mantido em bom estado.
Recorde-se que o Senhor é o Jardineiro, e sua agitação cessará.


*Trecho retirado do sermão "O Jardim de Deus", de Charles H. Spurgeon.

Eleição e Aliança no Antigo Testamento

O conceito de que Javé escolheu Israel para ser sua possessão é chamado “eleição”. A base da doutrina encontra-se no chamado de Abraão, quando a promessa de Deus é dirigida à “semente” ou descendentes de Abraão.
A eleição divina não é um ato arbitrário, ainda que Deus tenha tomado uma nação em detrimento de outras. A nova obra de redenção divina exigia um novo povo, daí o chamado de Abraão e a formação de uma nova nação a partir da família de Abraão.
Por causa dessa eleição, Israel devia destruir as nações na terra de Canaã. Não devia fechar tratados com elas. Não deveria haver casamentos mistos entre israelitas e os povos da terra. Isso só poderia fazer com que os israelitas deixassem Javé para servir outros deuses. Acima de tudo, deveriam destruir todos os símbolos religiosos dos cananeus. Essas obrigações parecem penosas. Uma vez que Javé é igualmente Deus de todas as nações e, portanto, todos os povos são igualmente suas criaturas, por que essas restrições pesadas?
Tais restrições precisam ser vistas da perspectiva correta, do contexto da eleição. Javé escolheu Israel e é o Deus de Israel. Deus não assume nenhum compromisso específico com outras nações, exceto o que está implícito  na aliança com Israel. Essa ideia básica de eleição está por trás das porções exclusivistas do Novo Testamento, tais como a diferença entre os seguidores de Cristo e o “mundo”
Mas esse conceito de eleição tem outra face. Havia outro propósito no fato de Deus escolher Abraão e seus descendentes: “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). O ciúme de Deus para com Israel não brota de sua indiferença para com outros povos; antes, surge de sua preocupação de que Israel transmita a verdade divina aos outros povos. Se Israel não for cuidadoso para guardar a verdade que Javé revelou em palavra e em atos,  a verdade nunca chegará ao restante do mundo.
A palavra “aliança” desponta aqui e ali com frequência no Antigo Testamento. Embora seja às vezes descrita como um “contrato” ou “acordo”, a aliança bíblica é um tanto diferente. Um contrato implica reciprocidade: “pelo valor recebido aceito pagar...”. Se um dos contrastes deixa de cumprir sua parte, o outro fica desobrigado. Mesmo o tratado de suserania não é bem igual à aliança bíblica, embora pareça um paralelo mais próximo. Aqui, o governante venceu o povo vassalo e, portanto, impõe-lhe certas obrigações. Em troca promete prover os devidos benefícios. Ao contrário, a aliança bíblica, a relação entre Deus e seu povo escolhido, não se origina nem na reciprocidade nem na conquista. Ela começa no amor: “porque o Senhor vos amava...” (Dt 7.8). Assim mesmo que o povo falhe e não cumpra sua parte  da obrigação – como certamente fizeram  no deserto e ao longo da maior parte de sua história – , Deus não quebrará sua aliança (Dt 4.31).
Quanto aos profetas, a relação de aliança torna-se  a pedra fundamental de sua esperança. Uma vez que o Senhor deles é um Deus que guarda as promessas da aliança, os profetas sabiam que no final Deus devia redimir o povo, devolvê-lo à terra e estabelecer o rei no trono. Os elementos dessa esperança já estão presentes em Deuteronômio.
Não devemos, porém, supor que sobre Israel não se impunham obrigações. Na relação da Aliança, Javé honra sua parte (as promessas) porque ama e porque é Deus. O Senhor pode punir Israel por desobediência e até castigar gerações inteiras por incredulidade persistente, mas a aliança permanece em vigor – simplesmente por causa da natureza de Deus.
Israel, por outro lado, está obrigado pela honra a manter as exigências da aliança – não para colocar Javé em débito com Israel, mas porque Israel é o povo de Javé e deve agir de acordo com essa condição. Moisés apela ao princípio fundamental estabelecido em Levítico – “Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”(Lv 19.2).

“Porque tu és povo santo ao Senhor, teu Deus; o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses  o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra. Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu porque fosseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o Senhor vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito.” Deuteronômio  7.6-7



* Trecho selecionado de Introdução ao Antigo Testamento, de William S. Lasor, David A. Hubbard, Frederich W. Bush, pgs 131-133.

Pastores Solteiros VERSUS Pastores Casados: Aprenda de um Cara que foi Ambos

Solteiros ou casados fazem melhores pastores? O debate não é nada novo, ainda que tenha sido revigorado nos últimos anos. Historicamente, os homens solteiros predominavam. Ultimamente, o pêndulo escorregou para o outro lado, e alguns ainda sugerem que os solteiros não deveriam servir como pastores. Eu já tinha escrito em defesa dos solteiros no papel pastoral. Quando eu escrevi o artigo, eu tinha servido como pastor solteiro por 19 anos – 14 como pastor sênior.
Três anos atrás, algo especial e maravilhoso aconteceu comigo – eu me juntei ao time dos pastores casados. O lindo tsunami de ser pai recentemente também veio ao encontro de meu ministério pastoral.  Através disso tudo eu tenho visto as vantagens e as lutas de pastorear tanto como um homem solteiro quanto casado.
Eu não deveria ficar surpreso, mas minha experiência segue a análise que Paulo deu à questão de  casamento e ministério em I Coríntios 7: "Gostaria de vê-los livres de preocupações. O homem que não é casado preocupa-se com as coisas do Senhor, em como agradar ao Senhor. Mas o homem casado preocupa-se com as coisas deste mundo em como agradar sua mulher, e está dividido. Tanto a mulher não casada como a virgem preocupam-se com as coisas do Senhor, para serem santas no corpo e no espírito. Mas a casada preocupa-se com as coisas deste mundo, em como agradar seu marido. Estou dizendo isso para o próprio bem de vocês; não para lhes impor restrições, mas para que vocês possam viver da maneira correta, em plena cosagração ao Senhor". 1 Co 7:32-35
Ambos os lados do debate sobre se homens solteiros deveriam ser pastores citam a famosa passagem. Ainda, Paulo não está defendendo um ou outro lado como certo ou errado. Ao invés disso, ele está dando um conselho apostólico sábio acerca de como o estado marital afeta a vida e a experiência ministerial. Permita-me apresentar os pontos relevantes em I Coríntios 7 entrelaçados com minha experiência. Esta lista certamente não é exaustiva, e os comentários sobre este artigo provavelmente incluirão muitas outras considerações dignas.

As Vantagens de ser Solteiro no Ministério

1.    Tempo
Quando meus interesses estão divididos, então meu tempo também está. Relacionamentos exigem tempo. Em meus anos de solteiro, Eu tinha uma quantidade enorme de tempo para usar com as pessoas, projetos, preparação de sermão, oração, e semanalmente com emergências e surpresas. Eu amava ser pastor, e a quantidade de tempo que eu podia colocar no ministério pastoral teria sido negligência pecaminosa da família para um pastor casado. Como exemplo, durantes meus anos de solteiro, eu gastava uma, duas, ou três noites por semana na casa de membros da igreja. Eu frequentemente tinha pessoas e grupos na minha casa, vez que estava sempre disponível. Agora que estou casado, essas atividades diminuíram por necessidade.
Pastor casado, você não conheceria melhor seu rebanho se gastasse centenas de noites nas casas deles e eles na sua? Pense em quanto bem um pastor poderia fazer se, de repente, o tempo gasto com o casamento e com os filhos fosse colocado na igreja. Este sermão está um pouco melhor? Esta exposição está mais completa? O pastor está um pouco mais presente nos momentos críticos da vida das pessoas? Os presbíteros e a equipe ganham um pouco mais de atenção pessoal?

2.    Energia
Relacionamentos demandam energia. Casamento demanda energia. Nós todos temos um suprimento limitado. Nos meus anos de solteiro, parecia que eu tinha energia quase sem limites. Claro, meu anos de solteiro foram também meus anos de mais juventude. Ainda, minha esposa e filho exigem energia e esforço. Eu dormia mais e melhor como solteiro. Malhar era mais fácil de encaixar no horário. Havia menos expectativa e tarefas domésticas.
Billy Graham reconhece essa diferença em uma carta ao seu amigo de vida John Stott. Ele disse, “Obrigado por sua carta de novembro. Apenas lê-la me deixou exausto! Como você faz isso, meu amigo? Se você tivesse uma esposa, cinco filhos, cinco noras e genros e 15 netos, seria muito mais difícil. Por favor, perdoe-me se eu não for capaz de acompanhar seu ritmo!”

3.    Foco
Paulo escreve em I Coríntios 7 que homens casados inevitavelmente “estão preocupados com as coisas do mundo”, mas os não casados são “livres das preocupações”. Minha experiência nas duas categorias definitivamente afirma esse ensinamento. Naqueles 20 anos de pastorado solteiro, meus pensamentos estavam substancialmente focados na igreja. Eu pensava sobre as questões do ministério constantemente.
Minha mente andava naturalmente com as soluções de problemas, criatividade, oração, preparação de sermões, e assim por diante. Aqueles pensamentos produziram visão, ensino e outros auxílios impensáveis que deram grande assistência à minha igreja.
O pastor casado tem muito mais a pensar a respeito de coisas de fora do ministério. Ele precisa pensar sobre sua esposa e as necessidades dela, seus filhos, se os tem, cuidados domésticos, problemas de saúde na família, resolução de conflitos, e as idas e vindas da vida familiar.  É simplesmente impossível para o pastor casado encontrar o mesmo foco mental e espiritual no ministério da igreja como são capazes de fazê-lo os pastores solteiros. Quem colhe os benefícios? É a igreja local.

As vantagens do Casamento no Ministério

As vantagens de ser solteiro não diminuem as vantagens do casamento, nem vice-versa. Aqui não temos um jogo de soma-zero. Paulo também chama casamento de dom, que também concede vantagens reais no ministério.

1.    Maturidade, Amor e Crescimento Espiritual
Eu começo com essa vantagem, porque é o mais importante pronunciado. Casamento cria momentos diários e tensões que mudam o homem. Ele não pode ser como ele era. Um homem não irá durar muito no ministério ou no casamento se ele não crescer em seu desejo e habilidade de agradar sua esposa. (I Co 7.33).  Essa é a alegria do amor. Os altos do casamento são maiores que qualquer coisa que eu tenha experimentado na minha vida de solteiro. Ainda, eu sou constantemente desafiado e confrontado com as exigências do casamento de morrer para si mesmo. Quando você é solteiro, você lê o ensino e pensa: “claro, eu entendi... sem problema”. Então o casamento coloca o dedo no seu próprio egoísmo e, ao menos para mim, não é bonito. O cenário traz mudanças, crescimento espiritual, maturidade, e um exército de outras qualidades pastorais úteis. Aqui o casamento faz o que nenhum seminário pode fazer.
Se é um marido de valor, ele aprende a se preocupar primeiramente com as necessidades de sua esposa. Essa é a essência do amor e a marca do ministério de entrega. Casamento é um forno. O homem vai para  o casamento feito de um arranjo de material, mas o calor e a pressão o mudam. O forno força a produção de qualidades que fazem não somente melhores maridos, mas também melhores líderes-servos.  Quanto melhor o marido, melhor o pastor, pois pastorear na essência é liderar e amar como servo.

2.    Desejo Sexual
Nossa cultura ocidental sexualizada relembra tanto a antiga Corinto que a carta de Paulo aos Coríntios torna-se hoje muito relevante. Pelo capítulo 7 de I Coríntios, desejo sexual é um fator importante nos argumento de Paulo para o propósito de casamento. Sexo no casamento é um direito mútuo e uma arma na luta contra a tentação sexual. Essa é, no mínimo, uma consideração quando se decide trocar o dom do celibato pelo dom do casamento. A liberdade sexual do casamento é de grande auxílio na luta por pureza, à medida que provê um cenário de santidade para o desejo sexual.
No ministério, solteiros são jogados em um estereótipo silencioso. Você pode ser visto com uma pessoa que ou não tem desejo sexual normal ou possivelmente desejos errados. Presume-se que o solteiro no ministério provavelmente tem algum problema com a sexualidade, porque pessoas normais casam para lidar com isso. Nessa perspectiva, um pastor solteiro é uma bomba-relógio, e é somente uma questão de tempo antes de ele ceder.
É mesmo? Deus não concede a graça que precisamos, inclusive em relação aos desejos sexuais? Lidar com desejos sexuais é uma questão do coração, e uma cerimônia de casamento não muda esse desafio. Existem muitos e muitos solteiros piedosos no ministério que estão honrando Deus com seus corpos. Eles têm desejos sexuais como qualquer ser humano saudável, mas são pacientes em esperar pelo contexto correto para expressá-los. Um pastor casado é abençoado por ter um lugar são para ir quando lida com os desejos sexuais.  Casamento não garante pureza, mas maravilhosamente dá provisão para ela.

3.    Amplitude Emocional e Empatia
O ministério pastoral trabalha com os pontos difíceis da vida, geralmente relacionados a casamento e criação de filhos. Enquanto a suficiência das Escrituras ensina que um pastor solteiro pode aplicar adequadamente a Palavra de Deus para toda a vida, ele pode ainda lutar  com  sabedoria que provém de experiência e empatia nessas categorias. Eu fui abençoado de suprir esse vácuo com colegas que eram melhores em ministrar com essas necessidades especiais do que minha situação de vida permitia. As alegrias e tristezas do casamento dão uma profundidade emocional e amplitude que as pessoas instintivamente sentem e podem associar. A vida de solteiro tem suas dores emocionais únicas, que Deus pode e irá usar; elas simplesmente são  mais estreitas e específicas. O pastor casado tem uma experiência emocional mais larga da humanidade e suas complexidades relacionais.


Sou feliz por ser casado. E foi uma alegria servir a igreja como um homem solteiro. Muito frequentemente este debate nos força  a escolher um dos lados. Mas a Bíblia não os hierarquiza: honra ambos os lados. A Igreja deveria fazer o mesmo. Como um homem que agora viveu nos dois mundos, eu clamo às igrejas e comissões de busca que avaliem homens para o ministério pastoral baseados em seu caráter, dons e maturidade, não em seu estado civil.
Nós podemos louvar a Deus por como ele poderosamente usa solteiros no ministério para fazer o que os homens e mulheres casados não podem. E nós podemos apreciar e agradecer profundamente pela maneira que Deus usa  o casamento para refinar e amadurecer o homem enquanto ele pastoreia sua família e seu rebanho.

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Steve DeWitt serve como Pastor Sênior da Igreja Bethel, em Crown Point, Indiana. Ele é blogueiro no It`s all About Him e autor de Olhos bem Abertos: Apreciando Deus em Tudo.

Artigo original no site do The Gospel Coalition.