Doutrina da Eleição e Senhor dos Anéis
QUANDO NÃO AVANÇAMOS NA BATALHA
A história de livramento dos judeus do cativeiro egípcio, desde a saída do Egito, até o seu assentamento na terra prometida, é uma alegoria da liberdade que temos em Cristo Jesus, em quem somos livres da escravidão do pecado, e quem nos guia para a entrada triunfal e definitiva nas moradas celestiais.
O capítulo sete do livro de Josué nos conta da derrota de Israel na batalha contra o povo de Ai. Essa derrota serve-nos como um alerta para este caminho de peregrinação que representa nossas vidas neste mundo. Como o tempo que o povo judeu passou no deserto foi transitório, assim é nossa vida na terra: passageira. E da mesma maneira, teremos perdas e conseqüências danosas todas as vezes que não atendermos às instruções do Senhor.
O capítulo seis de Josué narra a conquista de Jericó, uma das vitórias mais importantes da história de Israel. Por ocasião da tomada de Jericó, Deus havia deixado claro que tudo ali deveria ser destruído, e que o povo não poderia se apossar de nenhuma das coisas condenadas; somente os utensílios de ouro, prata, bronze e ferro deveriam ser levados e consagrados aos tesouros do Senhor. Ocorreu que Acã, da família dos zeraítas, da Tribo de Judá, tomou para si e escondeu coisas condenadas e tesouros de ouro e prata debaixo de sua tenda. E diz a Palavra que “a ira do Senhor se ascendeu contra os filhos de Israel”.
Após a conquista de Jericó, a próxima batalha seria em Ai. Josué estava tão confiante, que mandou poucos homens de guerra àquela cidade, para que “não se fadigasse o povo”. A campanha que foi a Ai voltou dizimada e humilhada. Surpresa que se tornou desespero, pois as conseqüências daquela derrota iam além do retardo das conquistas, poderiam se tornar um alento e encorajamento aos povos vizinhos que outrora se viam irremediavelmente ameaçados pelos israelitas - se Ai derrotou a Israel, talvez o povo de Deus não seja imbatível em batalha.
Israel não avançou na batalha, e dessa derrota tiramos uma grande lição: Deus não irá nos deixar avançar enquanto não excluirmos as coisas condenadas de nossas vidas.
Efésios 1:4 diz que Deus “nos escolheu em Cristo, antes da fundação do mundo, para sermos Santos e irrepreensíveis...”
I Pedro 1:15 e 16: “segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”.
Hebreus 12:14: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”.
Muitas podem ser as lutas de cada um: alguns esperam uma promoção no emprego, outros procuram um emprego; alguns esperam pelo casamento, outros pela restauração do relacionamento dentro do casamento; ou até coisas menos importantes, como conquista de bênçãos materiais. Seja qual for a área de nossas vidas em que não encontramos vitória, por amor a nós mesmos, o Senhor não nos deixará avançar enquanto não nos livrarmos dos pecados enraizados.
É claro que, às vezes, pode-se tratar apenas daquilo que A.W. Tozer chama de “aflições moralmente neutras”, problemas naturais da vida e que não provem da vara nem da cruz, e não é imposto como um corretivo moral, nem é resultado de nossa vida e testemunho cristão. Porém, eu gostaria de chamar a atenção para o tipo de tribulação provocada pela vara do próprio Deus, imposta para nos corrigir e nos trazer de volta ao caminho.
Hebreus 12:6-11 nos afirma que “o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?... E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser motivo de alegria, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça aos que tem sido por ela exercitado”.
Quando não avançamos na batalha, podemos estar recebendo uma correção, uma disciplina, um alerta de santificação vindo direto de Deus. A passagem lida no mostra que Josué teve três atitudes que nos servem de exemplo sobre como podemos agir nesses tempos de estagnação:
Primeiro, Josué se humilhou perante o Senhor. O versículo seis do capítulo sete nos diz que depois da derrota, Josué rasgou as suas vestes e se prostrou em terra perante a arca do Senhor junto aos anciãos, com os quais deitaram terra sobre a cabeça. Há também outros episódios nas escrituras em que Deus nos mostra que leva em grande consideração esta atitude de Josué.
Após a solenidade de consagração do Templo, o Senhor aparece a Salomão e diz: “Se eu cerrar os céus de modo que não haja chuva, ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra, ou se enviar a peste entre o meu povo; se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”. (II Cr 7:14)
Quando corrigido por Natã por causa de seu adultério, em profundo arrependimento, Davi escreve: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus”.
O Salmista igualmente exulta: “Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito”. Salmos 34:18
Segundo, após orar, Josué escutou atentamente ao que o Senhor tinha a dizer.
Muitas vezes oramos ao Senhor pedindo uma resposta, mas já temos nossas próprias respostas. Não abrimos nossas mentes e corações para ouvir a correção e o ensino da parte de Deus. Podemos orar, mas continuamos com uma atitude defensiva, que não aceita correção ou conselho de nosso pastor ou de nossos irmãos (leia o texto “Pessoas defensivas são orgulhosas” clicando aqui ou assista o vídeo no youtube).
Porém, a passagem nos mostra que Josué ouviu o que o Senhor falou e não ficou procurando justificativas ou argumentações.
Dentre muitas outras maneiras, o mais comum é que o Senhor nos fale através da Bíblia e através da vida de nossos irmãos.
Em 2 Timóteo 3:16, Paulo afirma: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.
Provérbios 12:15 diz que “O caminho do insensato aos próprios olhos parece reto, mas o sábio dá ouvidos aos conselhos”.
Não está em questão a maneira que Deus irá falar conosco ou nos trazer uma resposta. O mais importante é nossa atitude. Na visão que João teve de Cristo em Apocalipse, o Senhor Jesus exclama às sete igrejas da Ásia: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Lembremos que eu e você somos igreja. Se eu tenho ouvidos, que eu ouça o que o Espírito me diz. Se você tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz a você.
Em terceiro lugar, Josué obedeceu e eliminou as coisas condenadas do meio do povo. Eis aí uma questão básica em nossas vidas. Aprender e praticar. Ouvir e obedecer.
Obediência é tudo que o Senhor espera de nós em todos os aspectos da vida. Em última instância, foi a falta de obediência que levou Israel a este momento trágico.
Deuteronômio 28 nos fala das bênçãos decorrentes da obediência: “Se atentamente ouvires a voz de do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que hoje te ordeno, o Senhor, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra...”; bem como das conseqüências da desobediência: “O Senhor mandará sobre ti a maldição, a confusão e a ameaça em tudo quanto empreenderes...”.
Tiago 1:25, diz que “aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar”.
Jesus, por sua vez, compara aquele que não pratica as suas palavras ao nécio que construiu sua casa na areia, e veio a chuva, o vento e a derrubou. E diz: “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando”.
Depois de sofrer as conseqüências da desobediência de um dos da tribo de Judá, Josué se humilhou, ouviu e obedeceu às instruções do Senhor. Ele colocou aquelas coisas condenadas perante Deus, e toda a congregação apedrejou a Acã, que trouxera culpa sobre o povo e fez irar o Senhor contra Israel.
A Bíblia nos fala que pelo pecado de um homem todos se fizeram pecadores. Todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus. Aquele que diz não ter pecado, é mentiroso. Em certos pontos da vida, nós erramos e deixamo-nos contaminar com as coisas condenadas. Já sofremos e já fizemos outros sofrerem as conseqüências da nossa desobediência. Todos já retardamos o avanço de nossas vidas e fizemos outros atrasarem o seu curso por causa de nosso pecado.
A boa notícia é que Jesus Cristo tomou a nossa culpa e já foi morto em nosso lugar. Não precisamos morrer ou matar para purificar o que se tornou condenado pelo pecado. A parte que nos cabe hoje é a confissão e o arrependimento. I João 1:9 diz que “se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”.
Através da cruz somos feito novos a cada dia e temos a chance de retomar o rumo em nossas lutas, abrindo espaço para as conquistas de projetos e sonhos que o Senhor colocou em nossos corações.
Continuemos caminhando em obediência, até o dia da conquista final da terra prometida, o dia em que todo aquele que creu e obedeceu há de se encontrar nos braços de Cristo na morada celestial.
“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas”. Pv. 3:5 e 6
Pessoas Defensivas São Orgulhosas
Uma das definições do dicionário para barômetro é que é “um indicador”. Então, em qualquer hora que sentirmos atitude defensiva em nós mesmos ou em outros, isso é um barômetro indicando orgulho ou imaturidade.
• Você não pode se tornar defensivo se quiser exibir humildade e semelhança de Cristo.
• Você não pode se tornar defensivo se você quiser ser uma pessoa receptiva ao ensino e ensinado pelo Senhor.
• Você não pode ser defensivo se pastores, anciãos e outros crentes hão de ter seu lugar apropriado em nosso crescimento espiritual.
Uma questão válida e honesta: Sou uma pessoa defensiva?
Se nós ficamos defensivos quando outros apontam alguma coisa em nossas vidas, então nós ainda somos imaturos em alguma extensão.
• Atitude defensiva é enraizada em orgulho e preconceito. Não desejar ser corrigido é atitude defensiva enraizada no orgulho.
• Atitude defensiva mostra sua face repulsiva quando alguém toca um nervo em minha alma, possivelmente expondo que eu posso estar errado sobre algo.
• Atitude defensiva é aquele sentimento que eu tenho quando alguém me desafia em alguma coisa, possivelmente expondo que eu tenho ponto cegos que eles vêem e eu não vejo.
• A atitude defensiva se mostra em irritabilidade quando alguém descorda comigo de alguma maneira.
• Se eu sou defensivo, orgulho está levantando sua face em mim.
• Se eu sou defensivo, Eu ainda sei que sei mais e melhor que qualquer um que descorda de mim.
• Se eu sou defensivo, eu ainda não sou, em algum grau, receptível ao ensino.
• Se eu sou defensivo, eu estou revelando uma atitude interna de que eu não posso estar errado.
• Se outro Cristão ou um de meus pastores, vem a mim para compartilhar algo que eles sentem ser uma necessidade em minha vida, eu respondo com atitude defensiva ou escuto em silêncio, realmente ouço o que eles estão dizendo e me asseguro que entendi e os agradeço por vir, e então examino a mim mesmo diante do Senhor para receber o que ele quer para mim?
• Se eu faço isso, trata-se de maturidade e semelhança de Cristo.
Como eu respondo a essas situações irá fazer toda a diferença entre crescimento real e mudar ou não.
• Se eu sou defensivo quando outro irmão ou irmã diz algo com o qual eu não concordo, eu estou demonstrando que eu ainda estou tentando viver como uma ilha, me separando do corpo, afirmando minha independência carnal do corpo, e do cabeça de igual modo.
• Atitude defensiva está arraigada em nós, é quase como respirar. Nós a exibimos até mesmo quando não sabemos. Se nós somos desafiados, corrigidos ou censurados, é horror e imaturidade em ação, e orgulho sustentando sua ingloriosa presença.
• Quando eu sou defensivo, estou longe de ser como o Senhor Jesus.
Que Deus me salve deste terrível e contínuo mal.
Jesus nunca foi defensivo em sua vida, nem uma vez se quer. E ele está me chamando para apagar essa atitude, morrer diariamente para mim mesmo e me tornar indefensivo, com toda minha defesa estando nEle e nEle somente.
Escrito por Mack Tomlinson.
Pregador da Ambassadors for Christ International USA
A Insuficiência do "Cristianismo Instantâneo"- A.W. Tozer *
Não é de admirar que o país que inventou o chá e o café instantâneos também desse ao mundo o cristianismo instantâneo. Caso essas duas bebidas não tenham sido realmente inventadas nos Estados Unidos, foi certamente aqui que receberam o ímpeto publicitário que as tornou conhecidas na maior parte do mundo civilizado. E não pode ser também negado que foi o Fundamentalismo americano que introduziu o cristianismo instantâneo nas igrejas evangélicas.
Se ignorarmos por um momento o romanismo e o liberalismo em seus vários disfarces, concentrando nossa atenção sobre o grande número de crentes evangélicos, vemos imediatamente quanto a religião cristã sofreu na casa de seus amigos. O gênio americano para a realização fácil e rápida de tudo, sem preocupar-se com a sua qualidade ou permanência, gerou um vírus que veio a contagiar toda a igreja evangélica nos Estados Unidos e, através de nossa literatura, nossos evangelistas e nossos missionários, espalhou-se por todo o mundo.
O cristianismo instantâneo acompanhou a idade da máquina. Os homens inventaram as máquinas com duas finalidades. Queriam fazer mais rapidamente o trabalho considerado importante e queriam ao mesmo tempo terminar logo suas tarefas a fim de dedicar-se a coisas mais do seu agrado, tais como o lazer ou gozar dos prazeres mundanos, O cristianismo instantâneo serve agora aos mesmos propósitos na religião. Ele ignora o passado, garante o futuro e libera o cristão para seguir as inclinações da carne com toda boa consciência e um mínimo de restrição.
Com a expressão "cristianismo instantâneo" estou me referindo ao tipo encontrado quase em toda parte nos círculos evangélicos, nascidos da idéia de que podemos livrar-nos de toda obrigação para com nossas almas através de um só ato de fé, ou no máximo dois, ficando tranqüilos daí por diante quanto à nossa condição espiritual, sendo então permitido inferir que não existe razão para termos um caráter santo. Uma qualidade automática, de uma vez por todas, acha-se presente neste conceito, a qual não se adapta de maneira alguma à fé apresentada no Novo Testamento.
Neste erro, como na maioria dos outros, encontra-se uma certa parte de verdade imperfeitamente interpretada. É verdade que a conversão a Cristo pode ser, e muitas vezes é, repentina. Onde o peso do pecado se revelou grande, o recebimento do perdão é no geral alegre e claro. A alegria experimentada no perdão equivale à repugnância moral de que nos despojamos no arrependimento. O verdadeiro cristão encontra Deus. Ele sabe que tem a vida eterna e provavelmente sabe onde e quando a recebeu. Os que foram também enchidos com o Espírito Santo após a sua regeneração sentem perfeitamente a operação que está sendo realizada neles. O Espírito anuncia-se a si próprio, e o coração renovado não tem dificuldade em identificar a sua presença à medida que Ele se derrama na alma.
O problema está em que nos inclinamos a confiar nas nossas experiências e, em conseqüência disso, interpretamos erradamente todo o Novo Testamento. Somos constantemente exortados a tomar a decisão, a resolver o assunto imediatamente e, os que nos aconselham nesse sentido estão certos. Existem decisões que podem e devem ser tomadas de uma vez por todas. Certos assuntos pessoais podem ser decididos instantaneamente mediante um ato determinado da vontade em resposta a uma fé bíblica. Ninguém iria negar tal coisa, e eu certamente não farei isso.
A questão que nos enfrenta é esta: O que pode ser realizado através desse ato único de fé? Quanto falta ainda a ser feito e até que ponto uma única decisão pode levar-nos?
O cristianismo instantâneo tende a considerar o ato de fé como um fim em si mesmo e sufoca o desejo de crescimento espiritual. Ele não compreende a verdadeira natureza da vida cristã, que não é estática mas dinâmica e expansionista. Ele passa por cima do fato de o novo cristão representar um organismo vivo, como um bebê recém-nascido, necessitado de nutrição e exercício a fim de assegurai o seu crescimento normal. Ele não considera que o ato de fé em Cristo estabelece um relacionamento pessoal entre dois seres morais inteligentes, Deus e o homem reconciliado, e um encontro único entre Deus e uma criatura feita à sua imagem jamais poderia bastar para estabelecer uma amizade íntima entre ambos.
A tentativa de englobar toda a salvação numa só experiência, ou talvez duas, por parte dos defensores do cristianismo instantâneo zomba da lei do desenvolvimento que abrange toda a natureza. Eles ignoram os efeitos santificadores do sofrimento, do carregar da cruz e da obediência prática. Olvidam também a necessidade de treinamento espiritual, de formar hábitos religiosos corretos e de lutar contra o mundo, o diabo e a carne.
A preocupação excessiva com o ato inicial da crença fez nascer em alguns uma psicologia de acomodação, ou pelo menos de não-expectativa. Para alguns o resultado foi uma decepção com a fé cristã. Deus parece demasiado distante, o mundo próximo demais, e a carne muito poderosa e irresistível. Outros ficam satisfeitos em aceitar a segurança da bênção automática. Ela os livra da necessidade de vigiar, lutar e orar, e os considera liberados para gozar deste mundo enquanto aguardam o outro.
O cristianismo instantâneo é a ortodoxia do século vinte. Imagino se o homem que escreveu Filipenses 3:7-16 o reconheceria como a fé pela qual morreu. Temo que não.
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Regeneração e as evidências de uma conversão genuína
Já escrevi aqui sobre a essência do Cristianismo. Ser cristão não pode ser definido em uma lista de condutas a serem seguidas, pois todas as religiões têm regras morais acerca do que se deve e não se deve fazer. No entanto, apenas o Cristianismo aponta para a necessidade de reconciliação do homem com seu criador. Essa reconciliação só é possível através de Jesus, que disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; niguém vem ao Pai se não por mim”.
Uma vez que todos pecaram e carecem da glória de Deus, e o salário do pecado é a morte, somente o sacrifício expiatório de Cristo pela humanidade pode nos conduzir de volta a Deus. (Leia mais em http://wartonhertzdeoliveira.blogspot.com/2008/01/essncia-do-cristianismo.html)
Hoje eu gostaria de ir mais adiante e tratar sobre a mudança de vida que ocorre na vida de uma pessoa que se reconcilia com seu criador, o que acontece com a vida daquele que passa por uma conversão genuína. Estou falando da regeneração, também conhecida como novo nascimento, quando o velho homem fica para trás e se torna nova criatura em Cristo.
No texto de Mateus destacado acima, Jesus está encerrando um sermão entregue à multidão em cima de um monte. Assim como Deus se revelara a Moisés em cima de uma montanha para entregar a lei e os mandamentos ao seu povo, agora o Senhor se faz carne e sobe novamente a um monte para entregar aquela que pode ser considerada a mensagem mais importante e poderosa da história da humanidade: o que é viver de acordo com o caráter de Cristo.
Na conclusão do sermão, Jesus faz esta advertência:: “Entrai pela porta estreita [...] porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela”. Em outras palavras, ser Cristão não é apenas entrar por uma porta, é também andar por um caminho- e mais que isso, um caminho apertado!
Hoje em dia, reduziu-se a vida cristã a uma decisão de “aceitar Jesus”. Se perguntarmos para muitas pessoas em qualquer denominação evangélica porque elas acham que são salvas, elas responderão que se sentem seguras a respeito de sua salvação porque um dia fizeram uma oração pedindo que Jesus entrasse em seus corações.
Na prática, criou-se um rito evangélico que garante a entrada nos céus. Não vejo muita diferença entre isso e as indulgências da Igreja Católica na idade média: pura superstição. A verdade é que oração nenhuma pode nos salvar do pecado e do inferno. Não há grau de sinceridade nessa oração que nos coloque de volta a um relacionamento com o Criador. O que nos salva da morte espiritual é nascer de novo pela obra regeneradora do Espírito Santo, que nos faz compreender a suficiência do sacrifício de Jesus, que nos ensina a amar o caminho estreito e viver de maneira que reflita o caráter de Cristo. Qualquer oração de entrega a Cristo não é causa da salvação, é conseqüência. Uma mera decisão humana não é igual à obra sobrenatural de Deus na vida de um crente verdadeiro.
Viver o que Jesus ensina é andar nesse caminho estreito que conduz à vida. Jesus não está falando de salvação pelas obras: “faça isto, faça aquilo e será salvo”. Jesus está dizendo que os seus discípulos trilham esse caminho - só eles entram na porta estreita e continuam no caminho apertado!!! Veja que logo após, Jesus diz: “Nem todo que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus: mas aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus”.
Chamo a atenção para o fato de que o sermão do monte não pode ser entendido fora do contexto de uma obra sobrenatural de Deus na vida de uma pessoa, pois tudo isso que Jesus está ensinando é um padrão muito elevado para o homem natural colocar em prática. Uma obra miraculosa precisa acontecer: REGENERAÇÃO!!!
Se você não se mantém nesse caminho, é uma evidência de que tudo o que aconteceu com você no passado foi falso. Precisamos discernir o estado de nossos corações. Entre na porta estreita e mantenha-se no caminho estreito!!!
O caminho apertado não se trata de regras e princípios, mas sim de regular seu coração à Palavra de Deus. O caminho é estreito porque é marcado pelas Escrituras. Se você tem um novo relacionamento com Deus, você tem um novo relacionamento com a sua Palavra.
Você tem vivido de acordo com a Bíblia ou de acordo com a sociedade? Se você não encontra resistência de sua carne, do mundo e do diabo, você está andando no caminho largo. Se as pessoas mundanas apreciam sua companhia em todo e qualquer momento, você está no caminho largo. Há um sério problema no teu relacionamento com Deus se as pessoas que não o conhecem não se sentem condenadas quando você está em volta. Isso não é radicalismo! Veja o exemplo de Jesus: os falsos religiosos de sua época espumavam de raiva quando quando eles aparecia. As pessoas que não tem comunhão com Deus não vivem de acordo com sua palavra e deveriam se sentir suprimidos pela presença de alguém que prega e vive a Palavra.
A realidade interna daqueles que caminham no caminho estreito é outra evidência da regeneração operada pelo Espírito. Há um sentimento transbordante do conforto, do toque e da presença de Cristo, do seu amor e do seu perdão. Aqueles que são regenerados têm experiências reais com seu salvador; não ficam vagando no campo abstrato das idéias para falar de sua fé. A vida Cristã não é baseada em experiências, mas elas acontecem.
Paulo afirma em I Co11:28: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo”. Aqueles que não tiveram um encontro real com Deus, não se preocupam em analisar as evidências da regeneração em suas vidas.
Podemos sim ter confiança em nossa salvação, e essa convicção é crescente na vida do Cristão. Mas, de tempos em tempos, precisamos parar e pensar: “Sou eu, sou eu? é de mim que a Bíblia está falando quando mostra o caminho trilhado por aqueles que foram redimidos pelo sangue de Cristo?”.
Examine-se, pois, a si mesmo.
“Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama o seu irmão”. I Jo 3:9-10