Senhor, fecha as portas!!!

Criou-se uma doutrina implícita em nossas igrejas evangélicas de que temos a necessidade de tentar ouvir a voz de Deus [de maneira literal] em cada pequena decisão.

À primeira vista, não há nada de errado com esse ensinamento, uma vez que a vida do Cristão é vivida para glorificar a Deus em todos os nossos atos, seja no andar, no falar ou no pensar. No entanto, o que destoa daquilo que a Bíblia nos ensina é criar uma necessidade de ficar buscando revelações e sinais sobrenaturais a todo tempo.

A Igreja parece estar colocando sua confiança na própria habilidade de ouvir a voz de Deus, e tem esquecido da soberania e do poder que Deus tem para conduzir e trazer provisão à vida de seus eleitos. A habilidade de Deus para conduzir está muito além de nossa capacidade de ouvir.

Devemos lembrar que somos novas criaturas, e não somos mais nós mesmos que vivemos, mas sim Cristo vive em nós. Quem é nova criatura anda com Deus e segue naturalmente os seus passos. Este não necessita de fenômenos e revelações para tomar suas decisões, uma vez que se guia conforme a Palavra.

A vontade de Deus está toda compreendida na Bíblia, o qual é única, suficiente e não necessita de complementos. Nós não precisamos de revelações extras.

Tudo o que Deus requer de nós é santidade. Qualquer decisão que tomarmos será abençoada se não implicar em pecado ou se não for ela mesmo pecaminosa. E se errarmos, Deus é fiel para corrigir.

Que jactância pensarmos que iremos ouvir a voz de Deus a todo momento. A Palavra nos diz: "Quão insondáveis são os seu Juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos". Rm 11:33

Por isso, se você tem a oportunidade de fazer algo que gostaria de fazer, não precisa ficar buscando sinais, esperar um raio cair na sua cabeça ou um anjo lhe aparecer para discernir a vontade de Deus.

“Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso corações” Cl 3:15 .... e ”Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2:13).

Se há o desejo, paz e recursos necessários, vá adiante.

Apenas ore: “Senhor, se não é da tua vontade, fecha as portas”.

Essa oração, feita de maneira sincera, é suficiente, pois estando no comando de nossas vidas, Deus pode a qualquer momento tirar nosso desejo, nossa paz, ou simplesmente, fechar as portas que possibilitariam realizar o que planejamos, a fim de que os Seus propósitos prevaleçam sobre os nossos planos (Pv. 19:21).

Apenas um pequeno gesto

O coral canta no corredor do hospital. Batemos à porta do último quarto. É a nossa primeira visita da manhã. Entramos e avistamos um senhor muito fraco em seu leito, virado na direção da porta, sendo alimentado por soro e, aparentemente, dormindo. Por de trás da cama, levanta-se um homem. Apresentamo-nos, e ele nos fala que é filho daquele velho homem enfermo. Perguntamos a ele se seu pai pode nos escutar e nos entender. Tendo recebido uma resposta positiva, começamos a falar:

“Viemos aqui para trazer uma boa notícia: que a salvação está disponível a todos aqueles que crêem no sacrifício de Cristo na cruz. Viemos pregar o evangelho, e evangelho significa boas novas de salvação. Hoje o mundo comemora o Natal, o nascimento de Jesus, o nascimento daquele que veio para salvar a humanidade. A Bíblia diz que todos pecaram e carecem da glória de Deus. E a boa notícia é que não há condenação para os que se arrependem de seus pecados, para aqueles que crêem em Jesus, que Ele é o filho de Deus, que Ele morreu pelos nossos pecados e hoje está vivo, pois ressuscitou. E esses que crêem terão vida eterna, passarão a eternidade ao lado de Deus”.

O velho homem continua imóvel na cama, porém o seu filho havia nos garantido que ele podia nos escutar e que entendia tudo o que dizíamos. Então, dissemos: “se o senhor entendeu o que falamos e quer aceitar Jesus como Senhor e Salvador de sua vida, faça apenas um pequeno gesto”.Ficamos em silêncio e esperamos alguns poucos segundos, até que vimos a mão direita daquele velho senhor, com muito esforço, ser ligeiramente erguida.Apenas um pequeno gesto. Porém, um gesto que sinalizou o começo de uma grande festa nos céus: um pecador arrependido ganhara a salvação.

O ENTERRO DE JESUS NÃO FOI O ENTERRO DE SUAS PROMESSAS

“Eu cumprirei as promessas que fiz à casa de Israel e à casa de Judá.”
Jeremias 33:14


Para os Cristãos, a Páscoa é a celebração da morte e ressurreição de Cristo. Exatamente entre os dias de sua morte e ressurgimento, mais especificamente, no enterro de Jesus, podemos tirar algumas lições preciosas para nossas vidas. O texto de Mateus 27.57-61 nos mostra o grande exemplo de Maria Madalena e a outra Maria a respeito de sempre acreditar nas promessas de Deus sem esmorecer.
O enterro de alguém amado é um evento doloroso para qualquer um. É hora de ver a pessoa pela última vez, e mesmo sabendo que ela não pode nos escutar, é hora de dizer o último adeus. Quando uma pessoa morre, especialmente uma pessoa jovem, todos seus sonhos e planos pessoais são enterrados com ela. O enterro de Jesus foi muito mais doloroso para aqueles que acreditavam nele, pois ele era o homem que clamava ser o Messias, o Filho de Deus. O libertador não poderia morrer! Porém, quando Jesus foi enterrado, foram enterrados com ele todos os seus planos e tudo que ele havia dito?
Jesus disse várias vezes que sofreria muitas coisas, seria morto e no terceiro dia ressuscitaria. Esse era o plano de Deus: Seu Filho deveria vir ao mundo, ser morto e ressurgir no terceiro dia para nos trazer salvação. Mesmo assim, seus discípulos pareciam ter esquecido essas palavras nos dias entre sua morte e ressurreição. Talvez eles não entendessem como o Filho de Deus poderia estar morto, e muitos deles estavam até mesmo perdendo sua fé em tudo que Jesus tinha dito. Entretanto, preste atenção à maneira que Maria Madalena e a outra Maria agiram. Elas estavam sentadas na frente da tumba enquanto José de Arimatéia enterrava o corpo de Cristo.
A atitude delas me impressiona. Ambas estavam entre as mulheres que seguiam a Jesus para tomar conta de suas necessidades. Depois da morte de Jesus, os discípulos se esconderam, com medo de serem reconhecidos como seus seguidores; e ainda pior: estavam sem paz e sem reação. No entanto, Maria Madalena e a outra Maria seguiram Jesus até mesmo durante a morte de seu mestre. Ainda que os últimos acontecimentos tenham lhes feito pensar que tudo que elas acreditavam estava arruinado, elas não se esconderam para chorar a morte de Cristo; elas fizeram algo, elas agiram! Elas foram as únicas interessadas em saber onde o corpo de Cristo estava sendo enterrado. A Bíblia não nos diz se elas fizeram isso porque lembraram das palavras de Cristo quando ele disse que deveria morrer, mas depois vencer a morte. De qualquer maneira, é muito claro que elas seguiram o enterro porque seu amor por Cristo não as deixava ficar longe dele, mesmo em uma situação onde tudo parecia estar perdido.
O enterro de Cristo foi o enterro de um homem, mas não o enterro de seus planos, porque esses eram planos de um Deus que nos ama. Nosso Deus é um Deus que cumpre suas promessas.
É muito apropriado lembrar que depois da ressurreição de Jesus, Maria Madalena e a outra Maria foram as primeiras pessoas a falar com ele. Para elas foi dada a missão de contar aos outros discípulos a boa notícia que nós, como cristãos, ainda estamos comprometidos a espalhar pelos quatro cantos do planeta: Jesus morreu, mas ressuscitou e agora vive!
Quando todos os teus planos, sonhos e crenças parecerem estar enterrados, lembre de Maria Madalena e a outra Maria. Não deixe as circunstâncias evitarem que você siga nosso Senhor e acredite em suas palavras. Sempre aja com coragem e amor. Não importa qual seja a situação, lembre-se: Deus tem um plano, e ele cumprirá as promessas que fez para tua vida.

Sul: um altar reconstruído

Relato sobre a noite de 20 de abril de 2003, no Sítio Canaã – Retiro de Páscoa dos jovens da Igreja Presbiteriana de Rio Grande do Sul e Santa Catarina.*


Noite de domingo. É Páscoa. Está frio lá fora. Está quente aqui dentro. Os músicos estão atentos. A congregação mostra em seu rosto grande júbilo por estar unida pela adoração. O louvor começa em grande estilo, sendo ministrado pelo servo de Deus. O retiro de Páscoa está sendo uma benção até então. Seria a última noite naquele sítio com nome de terra prometida [lê-se Canaã]. Quem esquecerá dessa noite em que vimos a mão de Deus se mover sobre os irmãos presentes?
O tema de nosso retiro é “Crescendo com Compromisso”. Durante os dois primeiros dias falamos sobre a importância do crescimento em qualidade, o qual começa com um compromisso pessoal com Cristo, tendo seu fechamento no compromisso com seu corpo, a Igreja. No terceiro dia, estávamos tratando sobre o crescimento em quantidade, ou seja, a importância da Missão Evangelística da Igreja na granda comissão (ide por todo mundo e pregai o evangelho!).
A comunhão é intensa. São cem jovens de todo o Rio Grande do Sul e de algumas cidades de Santa Catarina. As pregações são tocantes e desfiadoras. Os seminários nos ensinam de uma forma lógica nossas responsabilidades como Cristãos. Os momentos de louvor são alegres e chorosos, pois o Espírito de Deus faz a sua obra. Não há como não perceber: Deus está fazendo a sua obra.
Louvamos, cantamos, pulamos, dançamos, gritamos... e choramos. Choramos nossas vidas no altar de Deus! O pregador, comovido, pega o microfone. Vai falar sobre o tema da noite: Compromisso com o “ide”. Entretanto, ele se sente dirigido para falar sobre reconstrução de altares destruídos. Durante o sermão, altares estão sendo reconstruídos. Ele termina sua pregação pedindo ao grupo de louvor que toque uma música e, logo, passa o microfone para mim.
Muitos estão lá na frente, em espírito de adoração. Estão em volta de mim, do pregador e do ministro de música. Outros, espalhados pelo templo, estão ajoelhados, abraçados, clamando... Não sei o que dizer. Apenas recomendo que todos entreguem tudo o que têm nas mãos de Deus, pois é isso que incessantemente cantamos ao seguir a letra do cântico: “Tudo que tenho é teu”. Cantamos essa frase por aproximadamente dez minutos.
Um jovem de minha igreja, em prantos, me abraça e diz que nunca havia sentido nada igual ao que ele está sentindo. Conduzo-o em uma oração de entrega definitiva de sua vida a Deus. A música continua, e outra jovem, que recém tivera seu casamento destruído, vem ao meu encontro e me abraça, também em prantos. Oramos, então, pela sua cura. Dirijo-me a outro jovem, esse recém-convertido, e oramos pelos seus pais que ainda não conhecem a Cristo.
Todos ainda cantam: “tudo que tenho é teu”.
O culto termina com a música em segundo plano, pois Deus estava a reerguer altares. Seria a última noite naquele sítio aconchegante com nome de terra prometida. Quem esquecerá dessa noite em que vimos a mão de Deus se movendo sobre os presentes? Ninguém esquecerá da renovação de seu compromisso com Deus. Ninguém esquecerá da noite em que teve seu altar reconstruído.
O Sul é um altar reconstruído. Essa noite é só mais uma evidência. Amanhã teremos mais palavra, mais louvor, mais comunhão; porém só quero aproveitar este momento... que me parece eterno.
Noite de domingo. É Páscoa. Está frio lá fora. Está quente aqui dentro....

* Publicado na Revista Mocidade Presbiteriana, n° 18 – out./nov./dez. 2003.

Identidade Cristã

Acho que já superei essa fase infantil – mas necessária – do Cristianismo de resumir a vida Cristã em uma listinha do que é errado. Deixar de fazer isso ou aquilo não é a essência do que é ser um discípulo de Cristo. O que eu quero dizer é que já consegui compreender que observar um código de condutas não me torna um Cristão. Claro que todo crente precisa saber o que deve e o que não deve fazer, mesmo que no início de sua vida cristã não entenda o porquê.
Em primeiro lugar, à medida que vamos testando nossa fé, à medida que o nosso relacionamento com Deus vai se tornando mais maduro, percebemos que essa lista de "nãos" é conseqüência natural de um compromisso sério com Deus, e não, pelo contrário, o que nos leva a ter um compromisso com Ele. Abandonamos certas práticas porque começamos a entender a vontade do Senhor para as nossas vidas, e não porque temos medo de sermos punidos por elas. Dessa maneira, a conclusão a qual cheguei , por critério eliminativo, é que o Cristianismo não é um código de condutas.
Segundo, outro problema de definir cristianismo por condutas é a influênica da cultura local. O que alguns cristãos consideram como pecados "hediondos" não são nem considerados pecado por cristãos de outras culturas, e vice-versa. Pecado é o que a bíblia diz que é pecado – o resto são usos-e-costumes com roupagem de Cristianismo.
O discurso que o Arcebispo da Igreja Episcopal de Canteburry (Inglaterra), Rowan Willians, fez à Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas, realizada em Porto Alegre, em 2006, está entre o que de mais profundo vi/ouvi sobre Cristianismo na minha vida. O assunto era Identidade Cristã e Pluralidade Religiosa. Selecionei algumas de suas frases sobre identidade cristã e vou deixar que elas falem por si mesmas- tentar explicá-las poderia estragar o brilhantismo desse Pastor:

- "Nossas vidas devem viver o testemunho da fidelidade de Deus às suas promessas".
- "Explicar a palavra 'Cristão' significa explicar o que é ser um povo que existe porque Deus prometeu estar com eles e a quem Deus ordenou que demonstrassem quem Ele é".
- "É a nossa relação com Deus."
- "A identidade Cristã é pertencer a um lugar que Jesus definiu para nós. Vivendo neste lugar nós iremos compartilhar esta identidade, carregar seu nome e estar nas mesmas relações que Ele tem com Deus e com o mundo".
- "Ao estar ao lado de Cristo, é possível viver em tal intimidade com Deus que nenhum medo ou falha possam quebrar o compromisso que Deus tem conosoco... Daqui você pode ver o que precisa ser visto para estar em paz com Deus e com a criação de Deus; e também precisa estar em paz com você mesmo, ciente de sua carência por misericórdia e re-criação".
-"É uma perspectiva que depende de estar onde Jesus está, debaixo de sua autoridade, compartilhando o 'fôlego' de sua vida, vendo o que ele vê – Deus como Abba, Pai, um Deus completamente comprometido com as pessoas em cujas vidas ele busca reproduzir Sua vida".
-"Tente reconstruir esta identidade de princípios, ideiais, ou o que seja, e você acabará em algo muito diferente do que as escrituras dizem do que é estar 'em Cristo'".
-"Nossa ênfase não deve estar em possuir um sistema no qual todas as questões possam ser respondidas, mas precisamente em testemunhar sobre o lugar e a identidade nos quais temos sido chamados a viver. Nós devemos mostrar o que vemos, reproduzir a vida de Deus como ela tem nos sido entregue pelo Ungido"
"Identifique-se! E nós fazemos isso em ações de graça e vivendo fielmente onde Deus, em Jesus, nos trouxe para estar, para que o mundo possa ver qual a profundidade e o custo da própria fidelidade de Deus para com o mundo que ele criou".

De fato, a identidade Cristã está em ver as coisas da perspectiva de Cristo. Por isso, é essencial estar ao Seu lado, pois assim vamos enxergar o que Ele enxerga e vamos demonstrar ao mundo quem Deus é, Sua vida e Seu Compromisso para com a humanidade.
Nisso está o grande amor do Pai: o custo da fidelidade de Deus para com sua criação foi a vida de Seu próprio filho.